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UFG é parceira na modernização do Museu Casa de Cora Coralina

Além de conceder o título honoris causa e publicar obras de Cora, a UFG presenteia a população com uma nova experiência tecnológica na residência da poetisa

Texto e Fotos: Weberson Dias

 

O dia 10 de abril de 2016 marcou os 30 anos de falecimento da poetisa e doceira Cora Coralina. O dia 22 de março deste ano completou os 60 anos do retorno de Cora de São Paulo para morar definitivamente em Goiás. Para marcar a memória, celebrar a volta a cidade e relembrar o alcance de sua poesia, o Museu Casa de Cora Coralina, reabriu suas portas neste sábado, 23/04, tendo como um dos parceiros na modernização do Museu o Laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Mídias Interativas (Media Lab) da UFG. Na última sexta, dia 22/04, a exposição “Cora Coralina: no coração do Brasil” marca um novo momento na concepção do museu, reinaugurado com a presença da comunidade e autoridades locais, além de familiares da poeta e doceira Cora Coralina, cognome de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), a “Aninha” da Casa Velha da Ponte.

A reformulação do Museu é fruto do Edital 2015-2016 da Caixa Econômica Federal, o único aprovado na Região Centro-Oeste e um dos quatro aprovados em todo o país. Para Marlene Velasco, diretora do Museu, a poesia de Cora transpõe gerações e sua “presença” é inegável no espaço da Casa, acreditando que ela quem dá forças e orienta na administração. “O turista pode vivenciar e imergir nessa poesia. Agora o museu é vivo”, comemorou a diretora que ainda agradeceu a parceira também da Prefeitura Municipal da Cidade de Goiás. Quando questionada se conheceu Cora, a diretora respondeu: “Cora é especial na minha vida. Nasci nesta rua e desde criança frequento essa casa. Ela quem me conduziu na literatura e me preparou para continuar a missão nesta casa”, disse, destacando que a casa recebe turistas do Brasil e exterior.

 

Vista Interativa

A convite da administração da Casa, participantes do Media Lab/UFG, realizaram intervenções midiáticas em cinco ambientes da casa – sala de espera, cozinha, bica, sala de escrita/documentação e sala de saída. Segundo o coordenador do laboratório, professor Cleomar Rocha, a experiência de visita deixa de ser voltada para o reconhecimento de um modo de vida de Cora para, após 4 meses de trabalho, incorporar a poesia a novos sistemas multimídia. A ideia é que o visitante veja a poesia em seu estado vibrante, visual e sonoro, por meio de projeções e ambientes interativos. “Queremos proporcionar a todos uma nova dimensão interativa de experiência sensível, uma vida pulsante. Agora aqui será a casa da poesia, porque ela sairá do fogão, da bica e de uma máquina de escrever, projetando-se nas paredes da Casa, no que Cora chamava de triângulo da vida, a partir de terra, água e ar”, destacou. “Assim, inauguramos um novo tempo do museu, que não olha apenas para um passado, mas cria perspectivas de um futuro a partir de mídias interativas. Durante a visitação, fica evidente que o futuro via tecnologia está cada vez mais presente no passado que forma a Casa de Cora”, lembrou.

Para um dos netos de Cora, Paulo Sérgio Sales, cumpre-se o que ela já ditava: que suas poesias seriam vista pelas futuras gerações. “Ela tinha a visão de que as gerações futuras apreciariam sua mensagem, melhor que aquelas que presenciaram ela em vida. Percebemos um interesse cada vez maior pelas mensagens de Cora e essa nova apresentação do Museu valoriza e reconhece a obra dela, trazendo-a para o século XXI. Estamos vendo aqui a tecnologia realçar a poesia”, elogiou.

 

UFG na vida de Cora

A Universidade Federal de Goiás (UFG) sempre esteve presente na trajetória na vida e obra de Cora Coralina. Desde 1983, a poetisa é doutora honoris causa pela UFG (Resolução Consuni n. 001/1982). A universidade também editou os primeiros livros de Cora, entre eles a segunda edição do livro “Poemas dos Becos”. O neto de Cora, Paulo Sérgio Sales, agradeceu a UFG pelo reconhecimento.

 

Museu

O Museu Casa de Cora Coralina está localizado ao lado da ponte sobre o Rio Vermelho, na cidade de Goiás e funciona desde 1989, quando abriu suas portas pela primeira vez ao grande público. Importante por preservar a memória e divulgar a obra da poetisa, a partir da exposição de espaços da casa onde estão peças de roupas, móveis, quadros de fotos antigas, utensílios domésticos, livros, cartas recebidas e personalidades que viveram ao lado de Cora, como Vicente e Maria Grampinho. Outras três propostas de intervenção estão previstas no Museu. Vale destacar também que foi de Cora a primeira conta da Agência da Caixa na cidade. Durante as visitas guiadas, Thiago Mota é quem tem a função de relatar a vida da poetisa. “Como historiador, sinto-me honrado em trabalhar demonstrando a importância de Cora para a história e cultura de Goiás. Nós trabalhamos com fontes documentais, fatos verídicos e procuramos realizar a mediação com o público de forma clara”, agradeceu o monitor da casa. 

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Centenas de pessoas participaram da reinauguração realizada na última sexta-feira, 22/04

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